julie azevedo
Since 86. INFJ. Queer person. livros. música. escrita. journaling. papelaria. artes. frio. café. gatos. Este blog tem mais de uma década de história e escritos, só que por aqui tudo acontece devagar.

Sobre deixar a vida me levar e voltar a me inspirar

Sentei pra escrever esse texto pois estava (estou?) com alguns pensamentos na cabeça que queria pôr em palavras escritas, só que aí eu olho para tela e fico pensando como poderia começar a falar sobre esses assuntos; por qual fio começar e como unir eles em um texto sem ficar confuso – como deixo a maioria dos textos aqui (risos). Acho que não tem outro jeito senão começar de algum lugar e deixar que o resto flua naturalmente.

E pode começar bem nisso que falei: deixar as coisas acontecerem naturalmente (sem fazer piadinha com o pagodinho lá). 

Deve dar para notar que faz um tempo que eu apareço em alguns momentos (tanto por aqui como no Twitter e Insta) e depois me canso e sumo de novo, mas aí a vontade de aparecer volta, e ficamos nessa brincadeira de rodinha (ou esconde-esconde) por bastante tempo. E nada mais é por estar me permitindo deixar a vida me levar (pois não aguentei a piadinha com o sambinha, rs). Se estou a fim de escrever, vou lá e escrevo, e se ficar muito tempo sem fazer isso não está sendo mais um motivo de crise como antes o era. Assim com praticamente tudo: com leitura, se quero ler algo leio, se vou passar dois meses sem ler, fico sem a menor cerimônia, pois não sou eu mesma que vou me obrigar a fazer o que não quero. Já não suporto pressão dos outros, então não é de mim mesma que vai vir.

de Maori Sakai

Estou me deixando ser levada pelas vontades e obsessões momentâneas (ou não tão momentâneas assim) e o que for bom, fica, o que não for vai embora. É assim que tenho sentido que fiquei um pouco mais leve.

Por conta disso larguei mão de qualquer meta e planejamentos futuros. Acho que não estou mais a fim de planejar muito as coisas – talvez só as que são realmente importantes e que necessitam ser discutidas com antecedência. Então deixei de fazer metas literárias, e no fim aquele post dos 12 livros para 2022 ficou com @deus, pois não sei se vou ler mais alguma coisa da lista – talvez fique sim com vontade de ler os livros lá, mas não tem pressa de ser para até o fim do ano, sabe? Vou escolher conforme der aquela vontade louca e é isso aí.

Não sei se isso tudo tem a ver com a ressaca literária em que estou desde março; não tenho conseguido ler mais nada que não seja as atualizações de Heartstopper no Tapas (que agora pararam por um tempo) e às vezes leio o início de algum livro que estou com vontade, mas nada avança mais que 20 páginas… Ainda não sei como quebrar essa “maldição”, rs. Tentando achar algo que esteja realmente interessada. Até pensei em reler alguma coisa, um quadrinho ou um livro mesmo, porém realmente não sei.


Sinto que a vida está tomando outro rumo do que costumava ser; está acontecendo tão rápido que não consigo acompanhar direito. Aí fico confusa com várias coisas e a ansiedade bate mais forte, trazendo uma sensação de certo desespero, pois fico sem saber como agir ou o que fazer em algumas situações.

Falando assim alguém deve pensar “por que está tão preocupada se isso é completamente normal e acontece com todo mundo?”. Mas não é que estou dizendo que comigo é excepcional, é só um desabafo que, inclusive, fiz no meu journal esses dias, e achei de registrar por aqui, porque sim? rs

Também sinto que desaprendi a escrever, se é que isso faz sentido, afinal estou aqui escrevendo, não é? O que quero dizer é que não tenho conseguido mostrar uma escrita mais criativa e interessante – como eu penso que costumava ser, pois quando leio textos antigos meus fico surpresa de que eu tenha escrito daquele jeito. Gosto e penso que é muito bom, sabe?
Meu conhecimento das palavras travou na aprendizagem e só consigo ser repetitiva e sem graça. 

Apesar de estar me inspirando com algumas artes, penso que não estou deixando elas entrarem de verdade no meu consciente que me faça ter ideias genuínas. Sei lá, tenho tido muita dificuldade de formular textos bem escritos e isso me incomoda. Talvez o que eu possa fazer é procurar as palavras de quem já me ensinou antes (como Austin Kleon e Ana Holanda), ficar calma e tentar de novo e de novo, pois só com prática se consegue resultados melhores, não é mesmo?

Aliás, o exercício que estou fazendo nesse momento é de ter mais iniciativa de transcrever o que coloquei no meu journal. No fim é uma forma de me tornar mais corajosa com minha escrita.


Bom, acho que esse texto já está muito misturado e bagunçado, então devo encerrar por aqui. Até porque falei falei falei e não sei se disse algo de relevante, rs.
Mas não deixo de recomendar que leiam meus textos anteriores, pois sei que os que escrevi com mais carinho e atenção devem fazer bem a que ler (assim espero).

J.

Comentários

  1. Eu gosto de ler esses desabafos e acho muito correto que você esteja deixando a vida te levar hehehe, o fato é que a gente fica sentindo que precisa chegar em algum lugar quando não dá pra sair daqui, estamos dentro de uma bola no espaço, pra que ficar se preocupando sem motivos... (eu falando pra mim mesma um pouco) obrigada pelo post

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  2. Oie Julie, tudo bem?
    Nossa eu entendo super boa parte dos seus desabafos, tenho passado por isso a um bom tempo. Bem grande mesmo. Não consigo mais ler e nem realizar outras atividades que demandam um pouco mais de atenção que eu normalmente gostava de fazer. Lendo o seu texto, não sei pq, eu tive um insight de que talvez me falte me permitir fazer uma coisa de cada vez, ou pelo menos tentar (de verdade). Mas olha, sobre deixar a vida nos levar, isso funciona sabe?! Só de não se cobrar tanto como antes e viver de acordo com a vibe que vc ta no momento, já tira um peso enorme e as coisas ficam mais fáceis de serem feitas.
    Um beijo!

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    1. Oi, Fernanda
      É, a gente tem que parar um pouco e respirar pra poder dar o próximo passo. Tem sido bom deixar algumas coisas pro universo, porque assim tenho tempo de pensar nas coisas, que era o que não tava fazendo muito antes, rs.
      Bjs ;)

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  3. Parar de se cobrar é um longo processo de aprendizado, também estou nessa, você não é a única, e isso vale para tudo, desde coisas importantes da vida, até coisas pequenas. As vezes eu me cobro até mesmo com meus hobbys, uma coisa que deveria ser prazeroso, fico pensando mil vezes se deveria ou não abandonar uma série que comecei porém não estou gostando.

    Você está certíssima em seguir o seu momento, faça o que quiser quando sentir vontade, e se não quiser, não faça, e não se culpe por isso, está tudo bem. Sei que nem sempre deve ser assim, mas isso também faz parte do processo de aprendizado para não se cobrar.

    Beijos,
    Livro de Memórias

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    1. Ah, sim, é um aprendizado sempre, pois a gente pode voltar a se cobrar em algum momento de novo. Então é questão de sempre estar atenta e parar um pouco quando se percebe que chega nesse ponto de novo.
      Mas vamos indo né?
      Bjs ;)

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  4. Oie! Eu também parei de me cobrar em relação as coisas que gosto de fazer. Hoje tenho mais compromissos literários do que metas literárias. Compromissos literários são aqueles livros que preciso/quero ler para discutir com algumas pessoas. Sobre ler pessoas que inspiram, eu gosto bastante do Grande Magia: Vida criativa sem medo, da Elizabeth Gilbert. E também do A coragem de ser imperfeito, da Brené Brown. São livros que volto sempre que me sinto desmotivada criativamente. Bjs

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    1. Oi, Jen!
      Sim, sem metas, mas alguns compromissos são mais leves né? Também tenho lido com um grupo que é bem de boa quanto a isso, então tem sido melhor do que metas literárias.
      Li o Grande Magia e amei, também é um livro preferido que gosto de voltar pra ele muitas vezes ^^
      Bjs ;)

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  5. Nossa, será que tem alguma coisa acontecendo no universo que tá deixando todos nós meio descontentes com a escrita? Porque olha, to largando um monte de planos, mudando rotas e achando que desaprendi de escrever. Pedi e prometi um ano criativo e to aqui toda travada.

    Mas eu adorei seu desabafo e achei que você organizou tudo muito bem, falou bastante com a pessoa que tá lendo do lado de cá, no caso EU!
    Mas acho que o caminho é a gente deixar as coisas acontecerem mesmo, sem ficar se cobrando demais. Porque ai fica natural e tranquilo.

    Te desejo tranquilidade para ser, para viver e é isso!
    Um beijo!

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    1. Não sei se algo no universo, mas com certeza todos estamos bem exaustos de tudo o que anda acontecendo no mundo, né?
      Quando não é pandemia é outras coisas péssimas, e a gente acaba com problemas pessoais também...
      Mas num sei, Aline, eu particularmente tenho estado bem cansada da vida mesmo, e acho que a cabeça não fica tranquila, e por conta disso a escrita é afetada também. Mas acho que é isso, levar as coisas devagar e no meu tempo.
      Obrigada pelas bons desejos! Desejo pra ti também ^^
      Bjs ;)

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  6. Compartilho esse mix de sentimentos com você. As coisas tem acontecido muito rápido e é como se eu estivesse em câmera lenta enquanto tudo se mexe ao meu redor numa velocidade alucinante (que nem um clip dos anos 2000). De vez em quando tenho vontade de fazer várias coisas, às vezes tenho vontade de fazer nada e, assim como você, estou tentando respeitar mais isso e pensar que "ok, vamos vivendo um dia de cada vez".
    Ps: não deu pra ler "deixar as coisas acontecerem naturalmente" sem pensar na música hahahaha

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    1. Mas é isso mesmo né, Nat? As coisas são muito frenéticas, e na internet então... O jeito é parar pra respirar e pensar no próximo passo, sem se afobar, só respeitar o próprio tempo e ir conforme os dias pedem.
      HAHAHA, eu sabia que alguém ia gostar das minhas referências aos pagodinhos xD
      Bjs ;)

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  7. Oi Juliene! Achei bonito o texto sim, apesar de você falar que não. Depois vou até tirar um tempo pra ler os antigos, pq se são melhores que esse devem ser mesmo perfeitos. Gosto desse tipo de post, onde as pessoas vão só escrevendo rsrs

    Compartilho desse seu desabafo das coisas estarem acontecendo muito rápido. Parece que está tudo parado e ao mesmo tempo tem coisa demais. Sinto que essa pandemia desestabilizou todo mundo. Tá bem complicado, espero que as coisas melhorem com o tempo

    Beijos!
    Lua de Marte

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    1. Oi Marina, pode chamar de Julie (eu prefiro rs)
      Que bom que gostou do texto, mas os outros não são perfeitos não xD Mas tenho pra mim que já escrevi melhor hehe.
      Sim, acho que a pandemia abalou nossas vidas mesmo, daquelas mudanças permanentes e que a gente tem que se adaptar.
      Obrigada pelo comentário ;)
      Bjs!

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  8. gosto do blog pessoal porque é isso, vivendo nosso modo dia-a-dia, com desejos, inseguranças e outras confusões mentais. poder desabafar, compartilhar.

    aqui sinto essa bagunça também. não sei se é um efeito pós caos pandêmico, se é a vida adulta, se é efeito maternidade ou uma mistura doida de tudo. a gente vai se virando entre surtos e "deixa a vida me levar" né? hahaha vamo que vamo

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    1. Sim, blog pessoal é aquele "meu jeitinho" de acontecer né? kkk

      Ah, Ba, acho que é mistura de tudo mesmo hehe A vida é essa doidera, e vamo tentando levar ^^
      Bjs ;)

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  9. Eu também estava enfrentando uma baita ressaca literário nos últimos anos, estou agora me reeducando e voltando a ler, e está sendo maravilhoso! Amei o post ^^

    https://meustonsempastel.blogspot.com/ <3

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