julie azevedo
Nascida nos anos 80. Lê muitos livros, não vive sem música, ama plantinhas e o vicio atual é fazer skincare. Este blog tem quase 12 anos de história e escritos, só que por aqui, tudo acontece um pouco devagar.

O que Alice Oseman fez com meu coração não tá escrito

Nesses últimos tempos não tenho tido muita vontade de estar online – porém, eu acabo ficando online de qualquer modo, só que observando mais do que estando “presente”, por assim dizer.

O que tem me feito aproveitar mais a minha própria companhia e a dos que amo (principalmente do maridón), além disso tenho tido tempo para explorar novas experiências e as coisas que gosto muito, como música e leitura, e até séries, por incrível que pareça. A série que tem tomado meus dias é Heartstopper. Mas deixa eu contextualizar.

Bom, conheci Heartstopper pelos quadrinhos que foram publicados aqui no Brasil ano passado. Pedi e ganhei de aniversário; li no início do ano e já fiquei atenta, pois quando dei uma olhada no site, no final de 2021, vi que teria uma série produzida pela famigerada Netflix. Pensei “beleza, vou ler as hqs e se eu gostar muito estarei esperando a série”. A verdade é que logo depois que li, cai de amores pela história de Nick e Charlie; amei muito as hqs – as duas que havia lido até então. Quando percebi a série estava estreando e já fui imediatamente conferir, e não poderia ser diferente que amei demais a série também! Não preciso ficar entrando em detalhes sobre o quanto ela (e as hqs) é importante pra comunidade LGBTQIA+, principalmente por ser uma série leve, feliz e inocente para adolescentes queer. Isso é o que mais as pessoas estão falando, e sim, reforço com veemência.

Mas para além disso, eu amei como a Alice Oseman criou esses personagens e como ela escreve. Virei fã da autora (que também é roteirista da série) e agora eu quero entrar em seu mundinho, o Osemanverso. Porque ela sendo da comunidade LGBTQIA+ sabe o que e como abordar os assuntos para os jovens que precisam ver histórias felizes sobre ficarem juntos e superarem as adversidades da vida assim como acontece em histórias heteronormativas.

livros publicados da Alice. quero ler todos!

Estou muito encantada com tudo o que ela escreve. Apesar de ainda não ter lido os livros por inteiro, li amostras e sei que vou gostar tanto que já tenho planos do que vou adquirir. Ela até me fez perceber que eu necessito adquirir um Kindle, finalmente! Assim posso ler as histórias que não foram publicadas por aqui e que estão apenas disponíveis em e-book.


A verdade é que tenho pensando em muitas coisas nos últimos tempos, e estar obcecada pela história de Nick e Charlie só tem me mostrado ainda mais algumas coisas que estou entendendo de mim mesma. Nunca é tarde para assumir quem você realmente é; é maravilhoso poder ter uma história dessas para a gente entender os sentimentos que se passam aqui dentro. E digo que não tem problema algum a gente perceber essas coisas mesmo depois dos 30, 35 anos, o importante é você poder se sentir livre para ser você mesma.

As histórias que Alice escreve são direcionadas para adolescentes, mas não necessariamente. Todas as pessoas podem se identificar, se apaixonar e se sentirem bem com elas. Essa é a beleza de a gente ser livre e poder apreciar a arte completamente.

E falando em livre, só para complementar tudo isso, uma das novas músicas da Florence – que chama Free, está no novo álbum – aborda essa liberdade. A música fala especificamente sobre ansiedade, a ansiedade dela, mas como a gente sabe que pode-se interpretar arte da maneira como nos sentimos mais confortáveis, acredito que a música contemple o sentir-se livre de amarras que nos prendem e nos fazem sentir mal conosco mesmos. Eu andava me sentindo um pouco assim. Contudo agora com toda essas lindas palavras, tanto da Alice como da Florence, eu tenho me sentido mais livre, mais eu mesma.
Em partes, meu coração está mais leve, e sei que em breve eu posso realmente me sentir mais segura do que eu sinto e sou – digo “em partes”, “breve” pois processos existenciais, entendimentos sobre nós mesmos, não são do dia para noite, então ainda estou compreendendo desse meu processo, mas sei que é questão de tempo para eu realmente me libertar.

O que me lembra sempre de uma frase que eu vejo pessoas reforçarem sempre pois é extremamente importante: nunca deixe que as pessoas digam quem você é. Só você pode se definir como bem entender e no seu tempo. Acho que apesar desse descobrimento ter me vindo numa idade a mais do que na adolescência, por exemplo, ainda assim penso que é muito digno a gente ter a oportunidade de se entender, se descobrir.

Enfim, a última coisa que quero dizer é: leiam Heartstopper e os trabalhos da Alice Oseman, pois se me ajudou para melhor, vai ajudar mais pessoas, a vocês, também ;)

J.

Comentários

  1. Eu nunca li, mas pretendo assistir a série. O jeito que vc escreveu sobre a autora me fez ter vontade de ler os livros dela. Obrigada por isso!

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    1. Eu que agradeço pelo seu comentário.
      Fico feliz que incentivei a ler a autora que se tornou muito importante pra mim <3
      Bjs ;)

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  2. Adorei o post. Vou por essa autora na minha lista.

    Larissa Caetano | lostmaiden.home.blog

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  3. Ah, que post lindo Julie. <3
    Eu ainda não li Heartstopper, mas só ouço falar super bem, sobre como é voltado para o público teen, mas NÃO SÓ para esse público. Quero ler a série ~ e agora os outros livros da autora também. Beijos :*

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  4. Eu assisti a série e ela é muuuito fofa e mais do que necessária não apenas para representar a comunidade LGBTQIAP+, mas também para, na minha visão, normalizar algo que já é normal, porém que ainda tem muita gente que não quer aceitar, infelizmente.
    Tomara que tanto os livros quanto a série da Alice Oseman explodam (ainda mais) de um enorme sucesso!

    Beijos,
    Livro de Memórias

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  5. Comecei ler Heartstopper dois dias antes de sair a série, e me senti tão conectada com o universo que a lice criou e em como ela trabalha assuntos importantes de uma maneira crua. Estou doida para ler tudo que ela já escreveu e que bom que terá mais 2 temporadas da série.
    beijos
    https://www.dearlytay.com.br/

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  6. heyyy! Nossa super te entendo sobre as vezes não estar querendo estar online, eu me distanciei muito de rede social exatamente por isso e acho que foi uma das melhores coisas que eu fiz por mim! é bom ficarmos com a gente mesma! Nossa esse post me deu inúmeras coisas boas!

    Primeiro, eu não conhecia Alice Oseman, mas já vou deixar anotado para procurar os livros. Acho muito importante dar voz e histórias LGBTQIA+, sempre achei importante e sempre vou achar!
    Agora sobre o seu processo de busca interior e entender quem é você, é algo lindo, viciante e que não tem fim! a busca por auto conhecimento é maravilhosa! e precisa sim ser aceita, entendida e processada!

    Você vai se encontrar! é só ter calma, paciênciaa... eu te entendo, porque estou nessa busca também ahahhaa
    Somos fortes, vai dar certo!

    ótima dica viu?!
    beijos!
    http://www.mairanamba.com

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