Registrar os pensamentos no papel

11 de maio de 2021

Escrevi esse texto falando sobre journaling em 2019, e pretendia fazer um outro post para falar dos cadernos que uso para o journal, bullet journal (ou, mais carinhosamente, bujo) e outros, e materiais — canetas principalmente — nesse processo do journaling. Porém as coisas mudaram um pouquinho. Na verdade eu fiquei mais próxima ainda da escrita e dessa arte de registrar a vida no papel. Então vou contar um pouco mais dessa experiência em voltar ativamente a escrever à mão. 

Ganhei o caderno de capa colorida em 2018 da minha irmã, que o trouxe de Londres. Pedi que ela procurasse, se achava um caderno com muitas folhas e ela encontrou esse. No começo eu tinha uma certa implicância por conta da capa muito colorida, mas hoje como ele tem tudo o que desabafei, o que gritei lá, ele tem um valor inestimável para mim. Vou ter um pouco de saudade quando acabar as páginas, mas ao mesmo tempo vou sentir uma satisfação de terminar meu primeiro caderno (dessa década rs) inteiro depois de dois anos e pouco escrevendo nele.

Ainda tá acontecendo tudo isso, né? Já falei que existem esses sentimentos sobre tudo, aí eu vou lá e escrevo muito, até a mão doer, e parece que me dá um alívio. Ajuda muito para ter ideias também, daquelas que podem virar algum texto para publicar por aqui, no bloguinho. Então é muito bom estar precisando sempre escrever e colocar as coisas que passam pela cabeça em um caderno. Vai tudo mesmo, às vezes mais bonito, às vezes mais bagunçado. Contudo a sensação de escrever é o que mais agrada, que dá quentinho no coração.

No começo do journal, eu até colava algumas coisas, como papéis, fazia desenhos, escrevia em outras folhas e colava no caderno e tal. Mas com o tempo isso foi se modificando e percebi que só o ato de escrever fazia com que minha cabeça ficasse realmente mais vazia de tanta coisa. Ainda escrevo só algumas frases e letras de música, ou pequenos poemas que acho por aí, só que o essencial é deixar lá as palavras que estão num emaranhado na minha cabeça. Só isso me deixa mais leve.

Acontece que não tenho um só caderno, então escrevo até mais do que eu achava que precisava. Tento separar algumas coisas: o journal é para os pensamentos mais íntimos; tenho um caderno de fragmentos que tem uns lapsos de escrita, como se fossem pedaços de algum livro, ou texto, algo assim. Não sei explicar muito bem para o que ele serve, mas vai de tudo um pouco. Até uns rascunhos de cartas que nem sempre tenho como enviar.

Tenho um outro, cinza, que separei para anotar listas e coisas mais bagunçadas, por assim dizer. Às vezes não sei onde anotar algumas ideias, porque são mais do tipo tive a ideia na hora, aí elas vão para essa caderneta. Além de outro, que era meu bujo de 2020 que não vingou; usei até primeira semana de maio e daí desisti. Ficou sobrando muita folha e para não desperdiçar dei a utilidade dele ser usado para anotações dos livros. De tudo. Listas, ideias, algo sobre as leituras. Tudo que tem a ver com minhas leituras, e compras de livros, também.

Só que também uso do Google Docs para escrever alguns pensamentos mais objetivos. Na verdade uso até o bloco de notas do celular, caso precise muito escrever algo, que não quero perder, e não tenho um caderninho à mão. Nem sou muito adepta de aplicativos online para escrita (fora o blog é claro, e o Docs, como disse), mas tem hora que vai facilitar, ser mais rápido, uso para pelo menos largar o que penso e depois reorganizo nos meus jornals, pois prefiro o modo analógico mesmo.

Enfim, escrever voltou a se tornar uma das atividades que mais aprecio fazer, tanto para me sentir mais leve como para ver aquela escrita se materializar para algo maior — um texto aqui ou ali, não um livro. Ainda —, já que hoje me comunico, essencialmente, pela escrita (até uma hora dessas resolver voltar com vídeos no canal…).

Vou acabar prometendo voltar aqui para mostrar mais sobre os materiais que uso nos cadernos/journals, mas juro que dessa vez eu volto com o tal post, rs. 
Será mais simples, pois é só pra contar que canetas e outras coisas de papelaria eu gosto de adquirir para ter uma experiência mais rica com a escrita — uma boa caneta faz diferença, hein!

J.

15 comentários

  1. Oi Julie!

    Também sou do time que ama escrever! Infelizmente, devido ao trabalho, acabo mais digitando do que escrevendo. Mas eu tenho um caderno (daqueles de escola, com 200 folhas) e escrevo sempre que dá (aka. só aos finais de semana). Comecei com as Morning Pages como forma de me encontrar. E hoje virou uma terapia pra mim. Não vivo sem!

    Eu achei lindo seu caderno coloridinho. E ele parece enorme!

    Sim! Eu já ia perguntar que caneta você usa pra escrever hehe Vou aguardar o post hein!

    Bom Maio pra você ♥

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    1. Oi, Claudia!
      É, hoje não consigo pensar em não escrever em journals. E o que vale é tentar escrever, sem se cobrar de ser sempre, mas de vez em quando já é o suficiente.

      Esse caderno tem bastante folhas mesmo. E tá bem no finalzinho...
      Em breve volto com o post dos materiais, hehe.
      Boa Maio (e Junho) pra você também ;)

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  2. Oi Julie. :)
    Eu nunca consegui escrever de forma constante ~ sempre comecei diários e acabei abandonando. E o pouco que escrevi acabei perdendo com o tempo, uma pena. Acho que deve ser uma sensação maravilhosa poder colocar todos os sentimentos assim no papel, e ainda por cima poder revisitar isso tudo algum dia... Adorei o post e já estou curiosa para saber mais sobre os outros materiais que você usa, vou esperar o post. Um beijo :*

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    1. Oi Camila!
      Eu tive esse hábito quando era criança e depois o perdi por um bom tempo. Às vezes demora a voltar (como foi o meu caso), mas tem hora, que se escrever for muito importante pra si, que volta quase como uma necessidade. QUem sabe um dia você sinta que precisa escrever em algum lugar né?
      Em breve teremos o post dos materiais, sim ;)

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  3. Adoro quem tem caderninhos para todas as coisas <3
    Nunca soube me expressar muito bem escrevendo, então os cadernos que eu mantenho são basicamente para listas: livros lidos, filmes assistidos, o que eu quero fazer, o que tem me incomodado etc. Tudo na minha vida pode virar uma lista hahaha

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    1. E olha que já estou inventando de ter outros ainda haha
      Mas lista é uma forma igualmente muito boa de escrever, Vanessa! Faço listas aos montes nesses cadernos também hehe.
      ;)

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  4. Oi Julie! Também amo escrever no papel, sai tudo bagunçado mas é muito bom sentir que se tirou algo guardado no peito. É uma atividade de autoconhecimento também, amo! Tô tentando escrever em 1 caderno só as minhas coisinhas mas é meio difícil, haha... sempre tem uma nota mental que eu acabo deixando espalhando por papéis de outros caderninhos. De app, eu gosto de usar o google keep pra registrar algumas coisas e apesar de não usá-lo como diário, às vezes ele quebra muito o meu galho. Além do blog tbm.

    Escrever é tudo de bom mesmo... <3

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    1. Oi Liz!
      Isso, é puro autoconhecimento! Isso tem me ajudado nisso, em me conhecer e saber o que me move por dentro. Bem profundo.
      Escrever é uma arte maravilhosa né? Além de esvaziar a cabeça a gente aprende e vai melhorando. Ainda mais pra gente que escreve em blogs.
      ;)

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  5. reparei que tenho escrito menos do que ano passado, mas acho que é o cansaço (e realmente, a dor na mão haha desaprendi a escrever à mão). faz meses que me sinto longe de mim e isso diz muito sobre não escrever tanto quanto antes. mesmo assim, tenho sentido que estou voltando a mim mesma nos últimos dias e isso tem me dado a sensação de estar viva, mesmo no meio desse caos, sabe? daí consequentemente voltei a escrever de pouquinho em pouquinho.
    adoro registrar o que vem na mente, sem me preocupar com frases bonitas, nem concordância verbal. é tão libertador ♥
    por aqui, tenho apenas um caderno, que é meio que um diário. eu escrevo coisas pessoas, preparo aulas, faço anotações sobre cursos, anoto ideias soltas, receitas. gosto muito de ter esse objeto comigo e de ler coisas de meses atrás. às vezes eu até me esqueço do quanto vivi.

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    1. Sim, Manie, escrever é bom pra gente voltar a se encontrar.
      é muito libertador não se preocupar com nada na hora de escrever pra si mesma.
      Ah, eu não consigo ter um caderno só haha, mas entendo quem uso um pra tudo hehe
      Obrigada pelo comentário ;)

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  6. Escrever tem me ajudado muito nessa época de pandemia, acho que está mesmo me salvando!
    Amei seu blog!!!

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  7. Como boa apaixonada por escrita e cadernos, amei seu post! A capa do caderno é muito bonita, e é bom que, no momento do desabafo, logo as cores dela já trazem boas energias a você. Escrever é um processo de encantamento. E de "encontramento", hahah.

    Muita inspiração pra ti <3

    Abraço enorme!

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    1. É verdade, Lari! Se encontrar escrevendo é uma das melhores coisas.
      Obrigada pelo comentário, sempre lindo e carinhoso <3
      Desejo inspiração pra ti também ;)

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  8. Ai, Julie, como foi gostoso ter caído de pára-quedas aqui nesse seu post, viu? Nem sei por onde começar, de tão gostoso!

    Ver sua relação com a escrita assim, de modo amplo e em especial com o escrever à mão, sei lá, nesse momento louco usar esse tipo de expressão pra manter a cabeça no lugar é bom demais... A gente acaba se descobrindo nas nossas próprias palavras e podendo sempre voltar em nós mesmas nesses ambientes.

    Eu também tenho essa relação gostosa com a escrita - principalmente no blog - e com cadernos, tanto que até FAÇO cadernos artesanais, hahaha. Acho que me identifiquei com muito do que você narrou e, ao mesmo tempo, gostei de ver o ponto de vista de outra pessoas sobre tudo. Obrigada por compartilhar!

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Muito obrigada pelo comentário e pela visita! ♥
Responderei assim que puder ;)