julie azevedo
Nascida nos anos 80. Tem esse blog há mais de 11 anos, pois sempre amou escrever. Lê muitos livros, não vive sem música, e o vicio atual é fazer skincare. Por aqui, tudo acontece meio devagar.

Aquele depois da segunda dose

Estava eu aqui pensando em todas as coisas que aconteceram desde o início do ano de 2020.
E, tardiamente, me dei conta que a vida que a gente conhecia não existe mais — e isso sempre foi dessa maneira, mas agora que a escala disso é mundial, e não só no particular, acabamos por realmente notar —, nada mais vai ser como antes. Não tem como voltarmos àquela vida que tínhamos, que vivíamos. Teremos que reaprender a viver nesse agora.

Mas não digo isso de uma perspectiva pessimista, digo isso como realista que está tentando entender esses processos. Não poderia ser pessimista, pois o braço dolorido da segunda dose da vacina não me deixa mentir, a esperança vai cercando nosso dia a dia. É um pouco mais seguro rumar à rotina comum, com nossos afazeres; ainda usando máscara e álcool em gel (que não são nenhum sacrifício), podemos sentir o passo, um após o outro, que vai nos levar para uma melhora.

Justamente por ser uma nova perspectiva e o fato de estarmos em outro tempo, depois de um evento mundial tão impactante, que os pensamentos de “será que agora dá para seguir em frente?” vem martelando na minha cabeça nessas últimas semanas.

Depois de tanto esperar sei que vou conseguir pisar para fora de casa, mas ainda tenho uma trava que me impede de fazer de uma vez por todas. Tudo está sendo muito calculado e pensando nos detalhes. Pois não é simplesmente ter a segunda dose da vacina no braço que nos faz escudos humanos. É preciso ter cuidado e atenção, por isso um certo receio ainda me faz ir a passos lentos e um pouco medrosos.

acervo pessoal

No entanto é necessário começar a retomar a vida, não é muito aceitável (para a saúde mental e física) ficar tanto tempo isolado, parado no mesmo lugar sem sequer avançar. O mundo não para e é preciso começar a agir para que um dia possamos sair completamente dessa situação.

Sei lá, as sensações são muito diferentes de tudo o que já presenciei antes, então as coisas aqui dentro ainda soam um pouco confusas. Eu sei que logo a retomada da vida em si vai acontecer, só preciso dar um último respiro para dar o passo para essa nova realidade.

E talvez por conta disso tudo, sinto essa trava também no que quero e pretendo fazer aqui com meus projetos, blog e canal. 

Venho contemplando um certo esmaecimento da minha escrita e criatividade, e mesmo tentando entender os aspectos disso, reflito que, como eu me vejo por dentro, tem me afetado muito mais do que imaginava. Então sei que lá no fundo não é algo sobre minhas vontades em si, minha forma de me comunicar, e sim um travamento por estar perdida quanto a realidade nova que nos espera a todos.

Fez sentido? Talvez esteja, de certo modo, meio embaralhado ainda, mas foram essas palavras que achei aqui dentro para ilustrar o que eu quero dizer com a corriqueira frase que tem me acompanhado: “estou com bloqueio criativo/de escrita”

Só quero me achar nesse emaranhado que anda me sufocando um pouco, que ainda me faz ter medo de simplesmente fazer

Porém, como eu mesma disse, respirar e até controlar a expectativa do melhor porvir, precisa ser um fator a me relaxar, para poder pensar com clareza e sem barreiras sobre o que quero realizar a partir de agora, dessa nova vida, depois da segunda dose.

J.

Comentários

  1. Oi Julie, tudo bem? Eu também sinto que nada vai ser como antes. Aos poucos, depois de ter tomado as duas doses, eu tenho tentado sair, ver amigos, etc. E por mais que eu deveria me senti segura, como vc disse, a vacina não nos faz escudos humanos. E o medo sempre vai ta aqui. Nada vai ser igual, pq cara, até mesmo um filme que foi gravado antes da pandemia, em cenas de aglomeração ou algo do tipo eu fico me perguntando como aquelas pessoas conseguem ficar assim? Nossa cabeça mudou e a forma de encarar situações que antes eram comuns, mudou. Acredito que sim, muita coisa vai melhorar a partir de agora, mas nossa visão sobre as coisas não tem como voltar a ser o que era a quase dois anos atras.
    Até mais!

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    1. Oi, Fernanda.
      É, a vida já não é a mesma, mesmo quando há uma mudança pequena, imagina agora que é mundial...
      Mas espero que vá melhorando um pouco.
      ;)

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  2. Oi Julie, eu também me sinto um pouco assim. Tenho a sensação de estar sempre esperando as coisas retornarem ao "normal", mesmo sabendo que nada mais será como antes. Ainda me sinto apreensiva, mas esperançosa ao mesmo tempo com essa nova realidade. Um abraço e fique bem! <3

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    1. Oi, Camila.
      É eu ando meio nervosa ao mesmo tempo que quero voltar aos poucos a ter as atividades que tinha antes... É um misto de sentimentos. Só espero mesmo que as coisas melhoram mais, e logo. Fique bem você também <3
      ;)

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  3. Oi Julie! Nossa, como me identifiquei com essa sensação (fato, na real) de que nada será como antes. É engraçado que se antes a minha ansiedade era pra voltar a ser, agora me habituei a ficar no meu cantinho a maioria dos dias. Mas a vida segue, uma hora a gente precisa seguir tbm, né?

    Até mais <3

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    1. É, também o fato de (pelo menos comigo) a sensação de que não conseguirei socializar como antes. Mas enfim, há de se tentar, de qualquer modo, é uma situação bem diferente e estranha.
      Seguimos como der e o mas positivamente que der.
      ;)

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  4. Eu não sei se algum dia vou conseguir ficar totalmente a vontade para fazer as coisas como ficava antes, tenho a impressão que nunca mais ou conseguir sair sem mascara. Mas acho que com o tempo isso muda. Espero.

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    1. Saba que fico pensando nisso também? Acho que em algum momento vamos poder sair sem máscara, mas o hábito de usa-la não deixarei mais. Assim como usar muito álcool em gel e higienizar tudo que vem da rua.
      Esses "eventos" servem pra mudar muito da nossa perspectiva pessoal sobre as coisas né?
      Obrigada pelo comentário ;)

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