Sobre ser fiel a si mesma

22.11.17

Esse post poderia ter diversos nomes que dariam título e significado ao texto que trago hoje. Não soube escolher apenas um, pois esses vários títulos podem exemplificar os vários pensamentos e sentimentos que ando sentido nesse momento, então vou me fazer de Clarice Lispector e elencar aqui os vários outros títulos que esse texto poderia ter:
Sobre fazer as coisas que você acredita
Sobre fazer as coisas do seu jeito
Sobre criar da maneira como você se sente melhor
Sobre não se obrigar a fazer as coisas que não quer
Sobre não se cobrar 
Sobre não se importar com opinião alheia
Sobre fazer por você em primeiro lugar
Sobre se libertar

E etc. Porque eu poderia simplesmente ficar aqui criando nomes para dar aos bois, que talvez você já entenderia o que quero dizer, porém é um pouco mais complexo do que isso. Eu preciso contar do porque preciso falar disso nesse momento.

Não é só fazer primeiro por nós, mas é se libertar das amarras que nos conduzem a nos obrigarmos a fazer tudo do jeito dos outros. Somos compelidos a perguntar, sempre, o que o outro acha, e se caso uma atitude mais individual for tomada é taxada de egoísmo. O que as pessoas não entendem e que somos individuais; o que fazemos é compartilhar as coisas com os outros, mas sempre fazemos primeiramente pensando no que queremos. Tá, nem sempre. Eu sei que tem muitas pessoas que fazem tudo pelos outros sem pensar muito em si mesmas. Mas é isso que as fazem feliz? De verdade? Algo me diz que não.

Obs: só que eu quero falar aqui de fazer as coisas por você quando você pode não se obrigar a fazer algo pelos outros. Quando é algo que envolva uma necessidade, que envolva precisar quitar dívidas, cuidar de alguém doente, entre outras situações mais sérias, isso que eu quero dizer não cabe, óbvio. Sacrifícios todo mundo precisa fazer pelo bem. Minha ~intervenção~ é para algo que você cria  - e pode ser um rumo profissional também - que você não faça em primeiro lugar pelos outros.

Não se sinta obrigada a tentar agradar todo mundo, simplesmente porque isso é algo praticamente impossível. Se você pedir opinião de alguém ela vai dar; então pede para outra pessoa que dê outra dica, e independente do que você escolher uma das duas vai ficar mais desanimada, pois você não escolheu a ideia dela. É sempre assim; vai ser sempre assim. Então porquê não fazer aquilo que você acredita e esquecer de pedir opinião aos outros? Confie no seu taco. Confie na sua capacidade de criatividade e faça primeiramente por você. Se vier o sucesso da sua criação, ótimo! Se não, vida que segue. O importante é você estar satisfeita com o que você fez. É olhar o seu trabalho e pensar isso está bom demais e fui eu quem fez.


Eu fiz duas pausas grandes no meu canal desde o ano passado. Pensei muito no que eu estava fazendo, para quem eu estava fazendo e por qual motivo. Descobri que o que me prendia era o ~precisar que todos gostem do que eu faço~. Me sentia presa a agradar todo mundo, pois o meu canal cresceu em um ritmo relativamente rápido no primeiro ano desde que o criei, lá em 2014. Então eu pensava que precisava sempre trazer assuntos, temas que TODOS gostassem e assistissem para, assim, eu ter muitas visualizações e likes. Contudo sofri daquilo que eu via os outros passarem, mas que ainda não tinha acontecido comigo: necessidade de aprovação de terceiros.

No finalzinho de 2015 eu comecei a perceber que essa comunidade de canais literários estava um pouco diferente. O ambiente estava ficando esquisito e depois de um tempo muitas pessoas começaram a comentar sobre essas coisas de competição entre os booktubers (como são conhecidos os youtubers que fazem vídeos de livros), que o que era um incentivo para se ler mais se transformou em uma corrida de quem vai ler os lançamentos primeiro, quem compra mais livros e até quem lê mais por mês. Isso não deixa de ser verdade. Entendo quando algumas pessoas dizem não gostar dos vídeos de livros novos e leituras do mês por conta disso, é compreensível. Porém tem muita gente que continuou ali no meio que sempre se preocupou em trazer assuntos e conteúdo bom. Então não é tudo perdido. Entretanto essa competitividade em alguns grupos começa a desgastar a comunidade em si. E hoje tem se falado muito no fim do booktube.

Não acredito que o booktube esteja acabando, pois muito gente tem aparecido para integrar a comunidade, muita gente com vontade de falar de literatura, e não só querendo mostrar o quanto lê, o quanto compra.

Justamente por ter essa esperança de que ainda não se perderam a vontade e empolgação pela verdadeira ~vontade de falar de literatura~ que eu decidi continuar com o canal. Acho que ainda dá tempo de recuperar a essência que meu canalzinho tinha. O intuito é voltar a fazer porque gosto, não esperando (quase) nada em troca. Só fazer pelo simples fato de gostar de falar de livros, de compartilhar minhas experiências. E como desde o começo do post venho defendendo: ser fiel a mim mesma. Trabalhar no canal porque eu sinto que é o certo e que me fará bem, o reconhecimento vem por consequência.

Aí está a afirmativa que para muito soa egoísta, contudo não é uma decisão que acarreta só nas minhas vontades. Eu posso, sim, levar em consideração sugestões que me fizerem, de tipos de vídeos, de tipos de assuntos para se abordar nos vídeos, mas só farei se me sentir segura e confiante naquilo que eu fizer. Pois o trabalho será meu, feito sem nenhum retorno financeiro, só com minha boa vontade, então tem que ser recompensador principalmente para mim. Se não do que adianta a gente se comprometer e realizar as coisas de qualquer jeito, sem entusiasmo? O resultado não é satisfatório e ficamos com aquele peso de não estar um bom trabalho.


Ser fiel a si mesmo não é egoísmo, é só uma maneira de não nos cobrarmos pelos outros esperando aprovação, que não vai vir 100%, porque não é todo mundo do mundo que você vai conseguir agradar, então por que ficar neurótica por conta disso? Relaxe e faça seu trabalho como você gostaria de ver, e vai sentir que o resultado vai vir de maneira sincera e bem aproveitada.

Aprendi isso tendo que ficar afastada do que eu gostava de fazer, mas dá-se um jeito de pelo menos voltar a algo bom pelo qual eu me sentia/me sinto bem.
Quem quiser acompanhar é só se inscrever. :)


4 comentários:

  1. Esse texto me fez refletir muito sobre meu blog. Basicamente o que você está passando com o booktub é o que eu estou passando com o blog... Enfim, acreditar no nosso potencial é sempre o mais importante

    Carol Justo | pink is not rose

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    1. Que bom que ajudei você a pensar um pouco, Carol. Sim, valorize seu trabalho sempre.

      Beijins!

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  2. Ahh amei esse texto :D

    http://submersa-em-palavras.blogspot.com.br/

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Muito obrigada pelo comentário e pela visita! ♥
Responderei assim que puder ;)

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